Carta do técnico Vanderlei Luxemburgo ao Jornal Folha de SP
Malas e Abutres - Repúdio
"Nos últimos anos,
venho sendo constantemente agredido, profissional e moralmente,
pelo colunista Juca Kfouri.
A perseguição se escancarou quando da minha transferência do
Palmeiras para o Cruzeiro, em 2002. O jornalista tentou imputar-me
a pecha de mercenário, afirmou levianamente que meu caráter era
duvidoso e aconselhou o Cruzeiro e demais clubes de futebol a
prestarem atenção aos meus atos. Disse que comigo não iriam ganhar
títulos e acabariam se arrependendo pela minha contratação. Naquela
ocasião, promovi-lhe um processo de indenização por dano moral e
ganhei. O processo está no TJ.
Para decepção do jornalista, conquistamos tudo em 2003, mesmo
lançando à época nove jogadores da divisão de base.
Mas Juca segue destilando veneno e maldade. Insinua irregularidades
e oníricos atos obscuros em meu comportamento, atua de forma
dissimulada, através de frases dúbias. Cria textos vazios de
provas.
A sua obsessão em denegrir a minha pessoa não tem limites.
Agora procura também denegrir o Instituto Wanderlei Luxemburgo,
cujo único objetivo é o de tentar melhorar o nível dos
profissionais envolvidos com o futebol.
Minha conduta, como pai de família, como avô, como profissional de
futebol e como cidadão brasileiro, tem sido marcada muito mais por
acertos do que por erros, graças a Deus e à minha
competência.
Sigo o meu caminho. Tenho uma família exemplar, muitos
amigos.
Mas não posso deixar de repudiar a perseguição obsessiva da qual
estou sendo alvo.
A vida em sociedade é semelhante à vida na selva. Entre os animais
selvagens, quem vive sem esforço são os abutres. A titânica luta
dos outros animais para sobreviverem torna-se seu alvo. A ave de
rapina fica à espreita, torcendo pelo fracasso. Alimenta-se dos
fracassos... Jamais me alinharei no time dos "abutres". Ficamos
assim: que os abutres também sigam em frente, afinal são abutres!
Eu continuarei feliz, me esforçando, realizando e
conquistando."
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Resposta por Juca Kfouri
De abutres e CPIs
Vanderlei Luxemburgo da Silva
honrou-me com uma lacrimejante carta no último
sábado.
Redigida em termos que o próprio signatário é incapaz de
entender, a carta irá para meu currículo.
Nela, chama a atenção o fato de tê-la assinado com seu nome
inteiro, sem "w" nem "y",
embora, em seguida, ao dizer que eu denigro seu instituto, chame a
entidade de Wanderley, em óbvia crise de esquizofrenia, além do já
conhecido complexo de perseguição.
A carta peca, ainda, ao dizer que escrevi que times na mão dele não
seriam campeões, coisa que jamais fiz e o desafio a provar.
Apenas me dou ao direito de não acreditar em Luxemburgo, como em
seu instituto, simplesmente por tê-lo visto depor nas CPIs.
Seja como for, folguei em saber que VL, ou WL, tem uma família
exemplar, algo que jamais pus em dúvida, mesmo quando sua
ex-secretária fez o que fez, sem que eu lhe desse ouvido, como não
dei às histórias sobre manicures, bares e venda de carros
usados.
E me surpreendi ao constatar que ele não entende apenas de Imposto
de Renda ou certidões de nascimento, mas, também, de abutres.
Pensando bem, no entanto, faz todo
sentido.
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'Abobrinhagem'
Por VICTOR VIEIRA
O Juca é um jornalista muito bom e não só no ramo esportivo. Na minha opinião, está entre os melhores do Brasil. Mas... Gosta de alfinetar estrelas, chegando a beira da implicância.
Luxemburgo é arrogante, prepotente e adora dinheiro (mais que o comum). Mas... É um excelente profissional e está entre os três melhores técnicos brasileiros.
Resumindo, o problema não é meu, nem seu e sim do ‘ego’ próprio de cada um deles.
Melhor seria se o Juca questionasse ao professor Luxa, porquê seu time não ganha pontos fora de casa neste brasileirão? E o professor se limitasse a responder o que lhe foi perguntado.
Uma pena que isso nunca acontece e temos que engolir esta 'abobrinhagem'.



