Por FERNANDO CALAZANS
O Vasco
respira
Até que enfim
o Vasco consegue uma vitoriazinha, a menor possível que se pode
obter, 1 a 0, mas logo pra cima do outro clube carioca na zona de
degola, o Fluminense. O Vasco não se salva, não sobrevive, mas se
alivia e respira. Deixa estar que foi curioso, no fim do jogo,
quando jogadores do Vasco se ajoelharam, em agradecimento, apenas
por terem tirado um pouco do peso das
costas.
Não sei
explicar como o Fluminense, que tem time reconhecidamente melhor do
que o Vasco (pior é que não poderia ser), consegue perder para um
Vasco sem dúvida valente e brioso, mas incorrigivelmente
primário.
Foi um jogo
fraco e equilibrado, de igual para igual, até os 27 minutos do
segundo tempo, quando Wagner Diniz, o melhor do Vasco, fez o gol,
em jogada, é claro, de Madson.
Então, daí pra
frente, o Vasco se tranqüilizou e fez o tempo passar, foi isso?
Não, não foi. Daí em diante, por incrível que pareça, os jogadores
do Vasco, na defesa, no meio de campo, no ataque, cometeram os
erros mais infantis, mais patéticos, e tiveram que se ajoelhar no
campo ao apito final, por não ter cedido o empate. Salvaram-se
Wagner Diniz e Madson, mas ainda não entendi, até hoje, o que faz
Alex Teixeira no time? E Leandro Bonfim entra por quê e para quê?
Ontem, foi a vez de Evandro Rogério Roman marcar um pênalti - que
não existiu - contra o Botafogo, no jogo com o Atlético-MG. Eu só
gostaria de entender: os juízes, um por um, o quadro de arbitragem,
o diretor de arbitragem da CBF, será têm mesmo alguma coisa contra
o Botafogo? Eis uma coisa que precisa ficar bem clara entre o clube
e a comissão de arbitragem.
Antes do jogo,
Caio Júnior disse que 1 a 0 para o Flamengo estaria ótimo, ele
ficaria satisfeito. Quer dizer: antes do jogo, já prevalecia o
pensamento pequeno e sem ambição. Pensamento de Bambala ou de
Arimatéia, não de Flamengo.
Depois do
jogo, em defesa de Juan, o mesmo Caio Júnior recriminou as vaias da
torcida rubro-negra ao jogador, que - disse o técnico - "é o melhor
do campeonato...." Juan, o melhor jogador do
campeonato...
Que coisa,
hein! E completou que, por isso, ou seja, pelas vaias da torcida a
Juan, ele, Caio Júnior, não estava entendendo mais de
futebol.
Bem, pelo
menos isso ele acertou: não está entendendo mais de futebol, se é
que um dia entendeu.
Entre a
sentença, antes do jogo, de que ficava satisfeito com 1 a 0, e a
confissão, depois, de que não está entendendo mais de futebol, o
Flamengo empatou de 2 a 2 com o fraco time da Portuguesa, dentro do
Maracanã, com uma atuação medíocre, sofrível, de time que não
parece estar disputando vaga na Copa
Libertadores.
Parece o
Cruzeiro.
E, se a
Portuguesa tivesse um pingo de categoria na finalização da jogada,
se Athirson, autor de um dos gols, não tivesse perdido outros dois,
cara a cara com Bruno, o Flamengo podia ter perdido de 3 ou 4 a 2,
porque o adversário foi o melhor time, criou as oportunidades mais
claras, dominou as ações.
O Flamengo só
jogou no início e no fim, já no desespero.
E como foi o
primeiro gol do Flamengo, o Flamengo que não tem jogada de meio de
campo, não tem jogada de ataque, não tem jogada ensaiada, não tem
trama, só tem jogada da defesa? Como foi o gol? Foi gol da defesa,
é claro.
Jogada do
zagueiro Jaílton até a linha de fundo, centro para o zagueiro Fábio
Luciano, virada do zagueiro Fábio Luciano, bela emendada, gol do
zagueiro Fábio Luciano. Se não for o Fábio Luciano, se não for o
Ronaldo Angelim, se não for o Leonardo Moura e se não for o Juan, o
Flamengo vai fazer o quê? Nada.
É o tal
Flamengo de Toró, Obina e Mais Nove. Implicância minha com os dois
jogadores? Será? Vejamos as notas que O GLOBO deu: Toró - nota 2;
Obina - nota 3, sem falar na expulsão bem aplicada por Héber
Roberto Lopes que, por sinal, saiu-se muito
bem.
Conseguirá o
Flamengo reagir nos próximos dois jogos no Maracanã? Quem sabe...
se o Caio Júnior voltar a entender de
futebol...