Foto: Blog
Marcelo Rubens Paiva / estadao.com.br
Por: VICTOR
VIEIRA
Entre as leituras diárias nos diversos
blogs, jornais, revistas, uma fofoca ou outra, sempre se encontra
textos de bom nível, outros super emocionantes, complexos,
filosóficos, políticos, ideológicos, religiosos, alguns não tão
bons e até vazios.
Domingo foi o dia ideal para “lesar” entre as cobertas,
devido ao frio que cobriu São Bernardo, cidade do Grande ABC que
abriga um dos maiores
e mais importante reservatório
de água da região metropolitana de São Paulo, a represa Billings. É
de lá que vem este clima que os namorados tanto
gostam.
Neste cenário, terminei a leitura do
livro Rota 66 – A história da polícia que mata – de
Caco Barcellos. Eita sujeito atrevido e
corajoso.
Totalmente parcial, aponta diversos
casos inescrupulosos de matadores que vestem farda. Farda da PM.
Nunca fui muito fã de policial e/ou advogado, logo,
recomendo.
Marcelo Paiva em inspiradíssima
publicação em seu blog no último dia 03 de julho, fala mais uma vez
sobre a legalização da maconha. O feudalismo não morreu, este é o
título.
Para abordar o tema, este fera literal
retrata a relação feudal de nosso país e também da América. O autor
defende a tese de que governantes criaram o “problema”
que existe na pauta maconha e agora evitam as discussões o em busca
de solução.
Bob criou uma religião, a trupe do
reggae e sempre defendou o consumo da canabis. Já a PM criou o
terror baseado na lei de governantes e pune severamente quem vende
e consume tal produto.
Entre as leituras, estou de acordo com
este texto que integra a crônica de Paiva e que reacende o debate
do tema, aqui o reproduzo:
Descriminalizem a maconha [de Marie
Myung-Ok Lee]
Estou ao telefone aprendendo uma receita de manteiga de haxixe. Não
com um traficante, mas com Lester Grinspoon, professor emérito de
Psiquiatria da Escola de Medicina de Harvard. E não é para uma
festa, mas para meu filho de 9 anos, que sofre de autismo,
ansiedade e problemas digestivos, que são aliviados pelas
propriedades analgésicas e psicoativas da maconha. Não lhe daria se
não achasse seguro.
Descobri a maconha quando procurava uma
alternativa mais segura aos fortes remédios antipsicóticos, como o
Risperdal, habitualmente receitados para crianças com autismo e
outros distúrbios de comportamento. Há poucos estudos sobre os
efeitos desses medicamentos, a longo prazo, no cérebro de uma
criança em crescimento, em especial sobre o autismo, distúrbio
cujos mecanismos bioquímicos são pouco compreendidos. Mas existe
farta documentação sobre riscos, o que levou a Food and Drug
Administration (FDA) a exigir nas embalagens o alerta máximo, a
"tarja preta", informando possíveis efeitos colaterais, que incluem
tremores permanentes como os do mal de Parkinson, distúrbios
metabólicos e morte. Um painel de especialistas federais em
remédios, em 2008, insistiu que os médicos sejam cautelosos ao
receitar esses remédios a crianças, mais suscetíveis aos efeitos
colaterais.
Moramos em Rhode Island, um dos mais de
12 Estados - incluindo a Califórnia - que têm leis para uso
medicinal da maconha. Isso nos permite dá-la a nosso filho, para
uso médico, legalmente. Mas nos limita seu uso. Não podemos levá-la
de avião numa visita à avó em Minnesota.
Embora não violemos a lei, pergunto-me
o que os vizinhos pensariam se soubessem que damos a nosso filho o
que a maioria das pessoas encara como droga "recreativa" ilegal. A
maconha sempre carregou o estigma do perigo ilícito - A Porta da
Loucura e cartéis estrangeiros do tráfico. Mas em 1988, após dois
anos de audiências, o juiz Francis L. Young, da Drug Enforcement
Administration (DEA), considerou-a "uma das substâncias
terapêuticas mais seguras entre as conhecidas pelo homem. (...) Em
termos estritamente medicinais, a maconha é muito mais segura que
muitos alimentos que comumente consumimos".
Além de ajudar pessoas como meu filho,
são muitas as razões para legalizar a maconha em nível federal.
Depoimentos de pacientes atestam suas propriedades analgésicas. E
os benefícios no combate ao enjoo da quimioterapia e à debilitação
decorrente estão bem documentados. Estudos futuros podem descobrir
empregos medicinais ainda mais importantes.
Incluir a maconha na guerra às drogas
mostrou-se temerário - e caro. Ao manter a maconha ilegal e os
preços altos, o dinheiro da droga ilícita dos EUA sustenta os
traficantes assassinos no México e em outros países. Na verdade,
depois de perceber como a proximidade dos cultivadores de maconha
afetava a pequena vila mexicana de Alamos, onde meu marido passou
boa parte da infância, sempre fui inflexível em nunca entrar nessa
economia da violência.
Como em Rhode Island não há postos
fornecedores, como na Califórnia, o paciente precisa pedir uma
licença para uso medicinal de maconha e então achar um jeito de
obtê-la. Tivemos de improvisar até finalmente contatarmos um
horticultor local graduado que concordou em fornecer maconha
orgânica a nosso filho. Mas, em razão do degradado submundo do
comércio de drogas ilegais, somado ao colapso econômico atual, até
nosso plantador precisa ficar atento para não se expor a
furtos.
Legalizar a maconha não só elimina o
incentivo a essa economia subterrânea, como permite a regularização
e tributação do produto, tal como o cigarro e o álcool. Potencial
para abusos existe, como com qualquer substância, mas estudos
toxicológicos não foram sequer capazes de estabelecer uma dosagem
letal nos níveis típicos de consumo. De fato, em 1988, Young ainda
disse: "Estima-se que um fumante teoricamente teria de consumir
cerca de 680 kg de maconha em quase 15 minutos para induzir uma
reação letal." E a maconha nem provoca dependência física,
diferente do cafezinho do Starbucks, como pode atestar quem já
sofreu de dores de cabeça por abstinência de
café.
Apesar de demonizada por anos, não faz
tanto tempo que a maconha é ilegal nos EUA. Ela foi criminalizada
no nível federal em 1937, pelos esforços de um só homem, Harry
Anslinger, comissário do recém-formado Birô de Narcóticos, e por
meio de histórias sensacionalistas de assassinatos e violência
supostamente cometidos sob o efeito da Canabis. A planta continuou
relacionada na farmacopeia dos EUA até 1941 como droga nativa útil
para tratar dores de cabeça e de dente, depressão e cólicas
menstruais, e as empresas farmacêuticas trabalhavam para
desenvolver variedades mais fortes.
Em 1938, um cético Fiorello Laguardia,
prefeito de Nova York, nomeou um comitê para fazer o primeiro
estudo em profundidade dos verdadeiros efeitos da maconha. Ele
concluiu que, apesar das acaloradas alegações do governo, a maconha
não causa insanidade nem age como porta de entrada de outras
drogas. Tampouco encontrou razões científicas para sua
criminalização. Em 1972, a comissão Shafer, do governo Nixon,
concluiu que a Canabis devia ser legalizada de
novo.
Ambas as recomendações foram ignoradas
e desde então bilhões de dólares foram gastos para sustentar a
proibição. O analista de políticas públicas Jon Gettman, autor do
relatório Receitas perdidas e outros custos das leis antimaconha,
de 2007, estimou o custo anual da repressão à maconha em US$ 10,7
bilhões.
Fiquei animada ao ouvir o recente apelo
do governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, para que os EUA
observem as experiências de outros países com a legalização da
maconha e abram um debate. E, dadas as reais ameaças à segurança do
país, foi prudente o anúncio do procurador-geral Eric H. Holder Jr.
de que o governo federal não faria mais batidas contra fornecedores
legais de maconha medicinal. A
descriminalização